Eu ainda sou do tempo...
...em que os cursos de Agronomia e Silvicultura tinham mais candidatos do que vagas, e o ingresso no ISA era tido como o prenúncio de prosperidade.
Era a euforia no Cavaquistão, lá para os inícios de 90. A autoestrada Lisboa-Porto finalmente se concluía, a SIC e a TVI (TeleVisão da Igreja) inauguravam a copiosa produção de telelixo, o crédito automóvel começava a automobilizar os Portugueses. Parecia que por fim chegavam os amanhã$ que riem.
Muitos pais apressuravam os filhos para cursarem uma licenciatura que lhes franqueasse as portas do que se cria vir a ser a profissão do futuro: agricultor. Parecia que todo o homem do campo haveria subsídios: para os jovens agricultores até aos 41, para a aposentação antecipada de agricultores idosos a partir dos 45. Seríamos uma corporação próspera, privilegiada, como são os cultores do agros em França ou na Dinamarca. Ou pelo menos assim parecia.
E assim foi até certo ponto: quem já detinha um latifúndio pôde, realmente, gozar de enormes subvenções comunitárias- autênticas tenças aristocráticas capazes de só por si sustentar o beneficiário num fausto vitoriano. Quem não possuía terra à partida viu-se quase impossibilitado de ascender ao estatuto de agricultor. Existe pouca ou nenhuma mobilidade social neste sector económico. Não há fluidez no mercado de solos nem no mercado de trabalho.
Esta carreira não é para um qualquer "sans-culottes"...

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home